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Projeto Felicitax: A Construção de Deux

Por Jocax (Extraído do Livro do Genismo)



“Deus não existe, mas Deux pode ser construído.” (Jocax)



Amigo,

O ponto em que eu toquei de leve, sobre o conceito autônomo de felicidade, é tão importante que eu há muito tempo procuro um bom nome para expressar a idéia. Eu queria um nome que exprimisse um limite na nossa “busca final”. Pensei em vários, mas não tinha achado nenhum que fosse realmente “digno” deste conceito.



Vou chamá-lo então de "FELICITAX". Talvez esta seja minha última grande idéia divulgada e, na verdade, eu a guardo a um bom tempo, pouquíssimas pessoas tiveram o privilégio de conhecê-la.



Minha intenção era publicá-la no meu livro sobre genismo, como seu último capítulo, que deveria ser intitulado: "Além do Genismo". Embora Felicitax não seja uma decorrência direta do genismo, com certeza Felicitax pode ser desenvolvido a partir da “Meta-Ética-Científica” da qual o genismo é um ramo. (In)felizmente, algum gene (malévolo?) torna difícil, para mim, manter segredo de grandes idéias. Bom, de qualquer forma, fica aqui registrada mais esta. Vou então resumir Felicitax, mesmo sob a pena de não ser entendido.



Introdução



O objetivo do genismo é a felicidade e não podemos consegui-la, em todo seu potencial, se não conhecermos o que realmente somos. Entretanto, a biologia evolutiva nos dá a resposta: somos “máquinas gene-perpetuativas”. O genismo parte desta constatação científica para propor uma filosofia, cujas idéias se refletem em nosso cotidiano, tornando-se também uma filosofia de vida. O genismo estabelece que não neguemos nossa condição biológica intrínseca de "máquinas gene-perpetuativas". Esse é o primeiro passo para reduzir os conflitos internos, aqueles que são provocados pela dicotomia “cultura x biologia” – conflitos memes x genes - a integração de nosso “ser cultural” com nosso “ser biológico” via genismo reduz este tipo de conflito promovendo menos sofrimento e mais felicidade. E se além disso percebermos que nosso verdadeiro “eu” não é a nossa tradicional consciência, e sim o que eu chamei de "eu - genético" (nossos genes), isso fará com que ganhemos também uma forma de imortalidade, e por isso ainda mais felicidade.



Mas a felicidade é definida através do tempo e do sentir [2]. A felicidade, por si só, pode ser considerada uma entidade autônoma. A felicidade não precisa e nem deve estar restrita egoistamente a nós ou à nossa espécie, e nem mesmo a seres biológicos!

O genismo também é uma teoria científica: é um método testável que visa à maximização de felicidade de seres biológicos evoluídos por seleção natural. Contudo, antes do advento da Meta-ética-científica (MEC), não havia uma abordagem científica para a ética e a moral. Não havia um instrumento científico que pudesse abordar de maneira objetiva a real eficácia das teorias éticas pela ciência. E como a MEC ainda é totalmente desconhecida e está em estado de desenvolvimento, a utilização política das teorias científicas para o “bem” ou para o “mal” ainda pode ser feita sem nenhum tipo de controle científico e objetivo. Assim, não é improvável que pessoas inescrupulosas, de visão curta, ou de má fé, ou não, possam tentar desviar o objetivo do genismo, deturpando-o. Isso poderia ser feito estabelecendo-se, por exemplo, como decisão política, a escolha de qual GRUPO deveria ter sua felicidade maximizada. E isso é extremamente perigoso: alguns podem querer que a felicidade a ser maximizada esteja restrita, por exemplo, a alguma espécie, outros a uma nação ou país, outros ainda a um determinado grupo étnico. Entretanto, a “Meta-ética-científica”, da qual o genismo é parte, advoga que o grupo deve ser tomado como o conjunto de todos os seres sencientes (capazes de sentir) e isso significa que o grupo não se restringe à espécie humana.



Bois, gatos, cães, ratos, baratas, pulgas e tudo mais que seja capaz de sentir deveriam estar envolvidos no grupo genista, uma vez que estes seres são, em princípio, também capazes de sentir. Isto, à primeira vista, parece bastante estranho e radical, mas, como já vimos, não é. O que acontece é que nosso cérebro possui cerca de 100 bilhões de neurônios e um animal, como, por exemplo, uma pulga, possui talvez apenas algumas poucas centenas. Além disso, a função de prazer pode crescer, por exemplo, exponencialmente com a quantidade de neurônios ou com o tipo de organização interna, e não necessariamente de forma linear.



O que eu quero dizer é que os organismos não têm o mesmo peso no computo da felicidade total. A felicidade depende da capacidade de sentir de cada organismo. O sofrimento de um único cérebro humano, por exemplo, poderia ser de tal magnitude que justificasse, hipoteticamente, a eliminação de toda uma espécie que o fizesse sofrer, como, por exemplo, a que causa a cólera, ou a das pulgas. Dessa forma, se a capacidade de sentir humana é maior, deveríamos ter também mais direitos que outras espécies com menor capacidade de sentir. Além disso, a “meta-ética-científica” estabelece que a felicidade deve ser computada no maior período de tempo possível, assim, a inteligência é um aspecto fundamental, já que através dela poder-se-ia evitar o fim do planeta por uma colisão de meteoro, ou mesmo evitar o fim da vida (e da felicidade do planeta) como está previsto para daqui a 4 bilhões de anos com a explosão do Sol. Tudo isso deve ser levado em consideração (e a nosso favor) na integral da felicidade geral.



FELICITAX



Apesar da longa introdução acima, a grande maioria das pessoas, com certeza, não irá entender o que eu vou expor. A “ditadura da consciência” impedir-as-á de enxergar. Contudo, vou deixar aqui registrado, para o futuro quando as mentes puderem enxergar um pouco além de seus próprios umbigos.



Quando eu tentei explicar FELICITAX para algumas poucas pessoas, eu utilizei um exemplo hipotético simples, e farei isso novamente:



Suponha que você fique de fronte, “cara a cara”, com um simples inseto, como, por exemplo, uma "formiga". Imagine que vocês se “olhem” nos olhos, e ficassem assim, contemplando-se um ao outro, por alguns minutos. Suponha também que este inseto tivesse alguma noção de quem você é. Você, com seus mais de 100 bilhões de neurônios e sua capacidade de sentir e de pensar. A “formiga”, talvez tenha apenas algumas centenas de neurônios e, por isso, se pudesse, perceberia de algum modo que sua pequena rede neural, em seu diminuto corpo, estaria contida na de quem a observa, e assim, de certa forma, SEU SER ESTARIA CONTIDO NO OBSERVADOR: toda a percepção que ela possuísse, você teria, mas num grau bem maior, mas o inverso não seria verdadeiro; nem tudo que você sente e percebe poderia ser sentido pelo diminuto inseto. Esta “formiga” hipotética “saberia” que jamais conseguiria sentir, perceber ou entender o universo como você consegue. Se ela pudesse analisar sua potencialidade, ela então compreenderia que você seria quase como um "deus" perante ela. E, assim, ao perceber tudo isso, ela talvez o reverenciaria.



Se, por hipótese, sua vida ou a da “formiga” tivesse de acabar, e estivesse nas mãos desse “inseto” esta decisão, então talvez ela escolhesse por fim à própria vida para salvá-lo. Afinal, o seu potencial de felicidade é muito maior que o dela, e, assim, de algum modo, ela continuaria a “viver” em você. A sua felicidade, sua capacidade de sentir, talvez seja milhares, talvez bilhões de vezes, superior a da pequenina "formiga". Assim, mesmo sob o ponto de vista da medida de felicidade, da MEC, seria absolutamente correta a decisão da "formiga" de dar sua própria vida para salvar a sua.



Deux



Mas, e se neste exemplo hipotético acima, nós humanos é que fossemos a “formiga”?



Então, quem seria o "você”, que estaria para nós assim como nós estávamos para a “formiga” do exemplo acima?!



Esse "você" não existe. Pelo menos não aqui na Terra. Mas se existisse, seria um ser de magnitude tal que, deveríamos, se pudéssemos, dar nossa própria vida para salvar a dele!



Este ser hipotético, pelo simples fato de poder sentir bilhões de vezes mais que nós, poderia aumentar MUITO a felicidade do universo. Precisamos nomeá-lo. Chamemo-lo de "Deux". Assim, se Deux existisse, deveríamos, caso necessário, até darmos nossa vida para salvar a Dele.



Mas Deux não existe!



CRIÊMO-LO ENTÃO!



Se *tivéssemos* a tecnologia, este deveria ser o nosso objetivo. Mas, por quê? Por que deveríamos criar Deux? A resposta é simples: porque, por definição, Deux teria uma capacidade de sentir muitíssimo superior à nossa, e, portanto, poderia aumentar em muito a felicidade do universo. Não é ético pensar apenas na nossa própria felicidade. Nem mesmo na felicidade da espécie. Raciocínios desvinculados da ética podem levar a todo tipo de barbárie. Uma ética universal, livre e perfeita, deve pensar na felicidade como uma entidade autônoma, e não atrelada a alguma espécie ou subgrupo. Sabemos bem onde se pode chegar quando se atrela direitos apenas a determinados subgrupos.



O maior problema da MEC é a quantificação matemática do “sentir”. Se este problema for resolvido, Deux poderia ser construído, talvez, como um computador, caso contrário, poderia ser criado, por exemplo, como um grande cérebro biológico, algo como uma imensa massa neural imersa numa grande cuba que lhe forneceria alimento, oxigênio ou energia.



Devemos perceber que não há e nem deveria haver limites para o contínuo aprimoramento de Deux, e assim, sua capacidade de sentir e pensar poderia ser continuamente ampliada. Portanto, Deux teria um potencial infinito: na verdade, Ele próprio deveria projetar sua próxima “versão”, com módulos que poderiam ser agregados e somados à sua rede neural, ou então através de clones aprimorados. Claro que a busca pelo conhecimento poderia e deveria continuar através de Deux, pois seria a melhor forma de prever e escapar das perigosas intempéries de um Universo em contínua transformação.



Assim, Deux deverá ser projetado com o objetivo de ampliar a felicidade do universo, e para isso, a principal função de Deux será ele próprio sentir prazer, um imenso prazer. Entretanto, para que a felicidade do universo seja ampliada cada vez mais é necessário que haja inteligência e conhecimento capaz de produzir tecnologia para esse fim. Portanto, Deux deve ser portador de uma inteligência que se auto-amplia a cada nova “versão”, e capaz de aprender produzir e absorver cada vez mais conhecimento. Sua evolução far-se-á exponencialmente com o tempo. Ele deverá se auto-evoluir.



E quanto a nós? Nós, como as verdadeiras “formigas” desta história toda, deveríamos saber que, de algum modo, também estaríamos contidos em Deux. Mas, que fim nós deveríamos ter? Deux foi projetado para maximizar a felicidade do universo, acho que se estivéssemos nas “mãos de Deux” não teríamos com que nos preocupar, não é? Afinal, não estaríamos, de certa forma, contidos Nele também?




PS: Felicitax, em nossa era, deve ser tomado como uma entidade filosófica, ou então como um elemento de ficção científica, e não ainda como realidade. Até ser entendida, e se tornar um projeto factível, muitos milênios deverão transcorrer. Não é impossível, contudo, que Deux já tenha sido construído em outro planeta. Se foi, um dia Ele nos alcançará.

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